domingo, 18 de janeiro de 2009

O dia em que fui mais feliz: o início

Era 2000. O mundo não tinha acabado, os computadores não haviam perdido sua lógica e todos percebiam que o bug do milênio e as outras várias previsões não eram nada mais que balelas. Para mim, nada disso importava. O que contava era o fato de estar começando um novo período letivo. Na verdade, nem era isso o primordial. O meu rebuliço consistia em conviver com uma nova turma. Dos quase 40 colegas de classe, eu só conhecia um.

Cheguei ao colégio, não me lembro dia, nem horário. Fui direto aos murais com os nomes dos alunos e suas respectivas classes. O caminho foi tranqüilo. Eu estava na escola há apenas dois anos e, como era pouco extrovertido, não tinha muitos contatos, por isso, não precisava me preocupar com o fazer o social.

Encontrei meu nome. Vasculhei os outros para ver se tinha companhia. Achei um. Nem precisava ter procurado. O sujeito, meu amigo, logo quando avistei sua alcunha no papel, começou a gritar “Fred, você é da minha sala!”. Aquilo me aliviou tanto. Não o suficiente para impedir que ficasse temeroso. Fomos para a sala.

“Onde fica essa 8ª D?”, perguntei. Hoje vejo como esse questionamento foi idiota. As turmas mudam a cada ano. Seria impossível saber. Só nos restava procurar. Avistamos. Não era difícil. Ao entrar no prédio rosa (nossa escola tinha essa cor) era necessário subir até o terceiro e último andar, virar a esquerda até alcançar o hall que tem bebedouro e banheiros. Enfim, isso não é relevante. Estando no hall, é preciso ignorá-lo e continuar em frente. No meio do caminho ficam as escadarias mais imponentes de todas. Ela é tão cheia de pompa que nos proibiram de passar por ela. Elas conduziam à imagem de uma santa. Eu nunca soube qual o nome da santidade representada. Verdade seja dita, nunca procurei conhecê-la. Ao passar a divina criatura, era só dobrar a primeira direita e adentrar na primeira porta a esquerda.

Meu amigo e eu fizemos este caminho e, na sala, sentamos nas carteiras do meio. Poucas pessoas chegaram naquele dia. Início de ano, a maioria falta na semana de reconhecimento. Com o tempo, eu mudei de lugar. Assentei-me na última carteira da penúltima fileira do lado oposto à porta. Meu amigo permaneceu. Pessoas estranhas me rodearam. Pelo que pude perceber, elas se conheciam. Portanto, deviam pensar “um ser oculto entre nós”. A culpa foi deles. Escolhi meu lugar primeiro. O assento viria a ser um motivo de discórdia. Eu mudaria de lugar novamente. Por incrível que pareça, quem brigou comigo pelo lugar não ficará nele. Pelo contrário, ele ficará ao meu lado até o fim desta série. O meu amigo? Ele não saiu do meio de forma alguma. Ele gostava de ser conhecido. Creio que a localização favorecia isso.

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