domingo, 18 de janeiro de 2009

O dia em que fui mais feliz: a tarada

Desengonçada. Não há palavra melhor para caracterizar essa pessoa que com o tempo viria a ser minha amiga. Ela era muito alta, cabelos compridos e desgrenhados, pele oleosa, óculos fundo de garrafa e nunca vi um short de moletom cair tão mal no corpo de alguém quanto acontecia com ela.

Sempre muito séria e fechada em seu grupinho, só ouvia os bochichos, as gargalhadas que davam. Não me intrometia. A princípio, eu ignorava tudo. Não procurava me relacionar intensamente. Além disso, eu preferia observar. Não sei por que, mas sempre senti nessa menina um potencial sexual incrível. Sabe aquelas freiras de filme que se comportam como santas, no entanto, escondem o diabo por baixo do hábito? Ela era assim para mim.

Sempre via quando ela observava o volume entre as calças dos meninos e, discretamente, (pelo menos, ela pensava que era assim) comentava com suas amigas que apenas riam. Nossa, ela era daquelas que perdiam o rumo ao ouvir a palavra (me perdoem o vocabulário) PINTO.

Tanto é verdade que nosso primeiro contato envolveu o meu membro. De forma indireta, é claro. Ele permaneceu guardado em minha roupa de baixo ‘100% algodão’. Ele apenas foi evocado por ela. Nessa época, eu tinha a mania de manter a mochila no colo, mesmo após sentar a carteira. Sem que eu soubesse, ela se incomodava com isso. Esse desconforto fez com que ela puxasse uma conversa.

- O que você esconde sob essa bolsa? - perguntou ela

- Oi? – eu, sem entender.

- Alguma coisa você deve esconder debaixo dessa mochila? Não tem outro motivo para mantê-la aí o tempo todo.

- Ahhhh, não tem nada.

- Deve ser grande, né?

- Nó, imenso. Acho melhor nem mostrar. - respondi entrando na brincadeira.

A partir desse momento, ficamos amigos. Ela me convidou para sua festa de 15 anos. Segundo ela, eu só me aproximei para poder ter acesso a sua festa de debutante. É evidente que isso é uma mentira. Nossa afinidade é mais embaixo.

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