domingo, 31 de outubro de 2010

A vida fora do bloquinho


É isso? Essa é a pergunta que anda vindo à minha cabeça com muita frequência. Estou em uma fase da vida pela qual nunca passei antes, digamos que estou no “momento”. Nunca fiz planos para o “momento” e confesso que não o tinha como objetivo. Ele simplesmente aconteceu e não foi com meu consentimento. Fui quase obrigado.

Tenho tentado me adequar a ele e tenho tentado fazer o que todo mundo faria se estivesse no meu lugar. Não consigo. A impressão é que o “momento” não é para mim. Pelo menos, não agora. Olho, penso, digo para mim mesmo “Vai ser bom para você... vai”. Porém, antes mesmo de tomar coragem, pergunto-me “Vai preencher o que te falta?”. A resposta é negativa e vem acompanhada de outro questionamento “Vai aumentar o vazio, né?”. É.

Neste “momento”, ainda penso por dois, sofro por dois, mas vivo por um só. Posso apenas controlar o que faço e evitar as dores que eu me causo. As outras dores... são culpa do outro. Sobre essas não tenho domínio. Resta-me apenas esperar que elas passem, sem levar algo importante ou sem deixar algo desnecessário, o já citado vazio.

Só para tentar exemplificar o que é esse vazio, uso a metáfora da folha de papel. Existem aquelas avulsas e aquelas que se encontram em blocos ou cadernos. As primeiras são tão úteis quanto às outras, mas é inegável que elas têm uma facilidade incrível de se perderem. Elas carregam coisas importantes, como as outras, mas como elas podem estar em qualquer lugar, por serem dobráveis e não terem a estrutura de uma armação, elas são esquecidas em bolsos, caem de carteiras. O vazio é a sensação de ser avulso, de ter se perdido e, ao mesmo tempo, o medo de se perder.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Sem saída

Tudo tem sido tão difícil que a minha maior vontade é não ter que fazer nada.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Paráfrase

Meu amor me expulsou de si
retornou pros seus vícios
E mesmo que amanhã ele volte
Com outro feitiço
Hoje, meu amor partiu
E nada vai
Nada vai mudar isso

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Way of life

Vivendo de acordo com a filosofia "1,2,3... respira fundo". Vamos ver se resolve. Se não, está resolvido

terça-feira, 22 de junho de 2010

O que resta

Egon Schiele


No último domingo (20/06), estava assistindo ‘Fantástico’ e vi uma matéria sobre um grupo de garotos que em 2000, todos com 14 anos, escreveram e enterraram uma carta com suas expectativas, seus planos e suas previsões sobre como eles e o mundo estariam passados 10 anos. Como estamos em 2010, já era hora de desenterrar.

Alguns dos então adultos lidaram com a situação de maneira descontraída, rindo do quanto eram sonhadores e mesmo bobos. Outros deixaram explícito em suas expressões as frustrações que tudo aquilo suscitava. Arrependimento, tristeza, decepção eram palpáveis nas diversas imagens e ainda assim o programa pecou em não explora-los. Não esperava que fizessem isso de forma sensacionalista, mas de modo a evidenciar a humanidade que perpassa o pensamento juvenil, certo em suas convicções, e o pensamento adulto que ao refletir sobre aquele percebe o quão falho era e se esquiva de qualquer certeza em absoluto.

Embora tenha considerado a matéria pobre e pouco abrangente, não posso negar o apelo que ela exerceu, pelo menos, em mim. Coincidentemente, tinha 14 anos em 2000 e, como eles, tinha vários ‘projetos’ que, em sua maioria, não se realizaram.

Não tenho nada escrito dessa época, porém lembro-me bem de muita coisa. Achava que aos 24 anos seria um adulto bem sucedido, possuidor de um carro e uma casa, ainda seria evangélico, casado, sem medo de morrer (aos 14 eu já fazia terapia para me livrar disso), etc. Em geral, acreditava que aos 24 anos já teria todo aparato necessário para me proporcionar uma vida plena e feliz dali em diante.

Posso afirmar, sem medo, que nada do que almejava aconteceu. Continuo utilizando o sistema público de transporte, a temer a morte. Não tenho religião, nem emprego. Contudo, atualmente tenho, algo que não possuía naquela época, o sentimento de culpa por ter me deixado chegar a essa idade sem nenhuma conquista, nenhuma construção.

Pela matéria percebi que não sou o único a se perder no tempo e se entregar ao acaso nada agradável, mas isso não me alegra. Gostaria de ouvi aqueles que como eu se perderam, de falar o que se passou comigo e propor a mesma atividade para os próximos 10 anos. Em outras palavras, propor que ainda há esperança (ilusão?) para o tempo que nos resta.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

É só isso

Acabou. Por mais que eu saiba que praticamente ninguém lê meu blog, a simples ideia de que ele não é totalmente secreto me incomoda. Não nasci para ser público, nem mesmo potencialmente público. Meu habitat é a clandestinidade. Aqui falo o que sinto, mas nem sempre da forma e com a intensidade que sinto, pois sei que conhecidos lerão e poderão me julgar por isso ou me conhecer melhor. Vou voltar aos meus diários secretos. Aqueles que sempre me ajudaram por me permitirem falar de mim sem nunca revelarem quem eu sou.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Eu não fui feito para esse mundo. Estou deslocado em qualquer lugar que eu vá. Sabe quando falta uma peça no jogo de damas e, para substitui-la, as pessoas colocam tampinha de garrafa? Pois então, eu sou ela. No meio de um tanto de pecinnhas pretas e brancas, lá estou eu vermelha, verde ou amarela. Nunca da mesma cor que as outras. Os jogadores me usam para dar continuidade as partidas, porém na primeira oportunidade que têm me oferecem em sacrifício ao adversário só para que o tabuleiro volte a ser harmônico. Preto no branco e a de cor fora dali.