terça-feira, 21 de abril de 2009

Temporão

"Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo"
Oração ao tempo, Caetano Veloso

Por mais que o tempo passasse e as coisas que fizesse resultassem em algo bom, ele continuava acreditando não estar preparado. Ele não se achava pior. Apenas sentia estar queimando etapas. Nada estava no tempo, nem lugar correto. Os dias eram afobados, a vida corrida e ele lento. Não uma morosidade preguiçosa, era, na verdade, uma leveza em ser.

Era cobrada dele uma ação logicamente sequenciada, quando na verdade, a sua necessidade, era viver com a liberdade de um cavalo do xadrez. Sempre andar em L, mas sem perder a possibilidade de ora ir para frente, ora ir para trás e, no mais das vezes, simplesmente ficar parado para que alguém o derrubasse.

Os carros seguem o fluxo, a televisão a sua grade, os crentes a sua religião e ele queria seguir levando a mesma vidinha pontual. Às vezes estar aqui, em outro momento estar lá, sem se importar com o caminho, com o tempo do percurso, sem se atentar a nada. O deslocamento o firmava.

O olhar de ontem que sempre ostentava provocava emoções variadas em quem o visse. Quem não o entedia, o desdenhava. Os que pensavam que o conheciam, também. Os capazes de compreendê-lo, não se manifestavam. Eram também eles leves e para se manterem assim, optavam por pensamentos breves. Prazerosos, críticos, mas sempre breves. O viam, o entendiam e o deixavam ir.

Ele ia. A sua vida ia. Sua lerdeza ia. Ficava para os outros o peso daquela mesma rotina, de estar a tempo, de sempre ser preciso, lógico, de ter inúmeros objetivos e se alegrar com a realização de alguns deles, poucos deles. Deixava aos outros a angústia de perceber que a vida não precisa ser assim.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

C'est la vie

Acabou. Não me sinto triste, nem feliz. Sempre tive o fim como um axioma. Não é para ser analisado. Ele não serve como uma lição de moral. Ele é dado e não é único. Muitos ainda virão.

É claro que muita coisa se perde com o encerramento, mas muitas se ganham e se perdem novamente. Assim vai ad infinitum. É bom lembrar que até quem inventou essa expressão, o latim, acabou.

Não tento pensar se aconteceu na hora certa ou na errada. Só sei que foi no momento que alguém escolheu. Arbitrário? Pode ser. Por isso, quem tem que meditar a respeito disso é o árbitro. Eu tenho só que viver.

Minha falta não será muito percebida em nenhum dos vários fins em que estiver envolvido. Sou meio mensageiro do vento. Chamo atenção, mas sou pouco funcional. Escolhi assim.

sábado, 4 de abril de 2009

Rules and regulations*

"Yeah, these are just the rules and regulations
And I like everyone, yes I like everyone
Must follow them"

Eu tenho manual de instruções. O problema é que não compartilho. Tudo na minha vida respeita algumas regras fixas. É só a pessoa me observar que vai ver o quanto sou previsível. De todos os tópicos desse manual os mais rígidos dizem respeito à decepção.

Por exemplo, não consigo permanecer amigo de alguém que fica ou namora uma pessoa que considero baixa, burra, promíscua e o diabo a quatro. Não sei por quê. Até tento pensar que não foi nada, foi momentâneo. Porém, logo penso que tudo na vida é fugaz. Se minha personalidade não for construída através dos momentos, do que mais será feita?

Essa é uma das decepções. Existem outras. Tenho tentado me desfazer delas para facilitar o meu convívio e manter o meu plantel de amigos. Ainda não estou apto a isso. Certas atitudes ainda são inimagináveis para mim. E não são ações escabrosas. As mais simples podem me incomodar.

Enfim, espero que as pessoas não as façam. Mentira! Eu espero não me importar mais. Fazer o que querem ou o que acham certo é uma coisa que eu sei que ninguém vai deixar de lado. Nem devem. Afinal, elas também têm o seu manual.