segunda-feira, 9 de março de 2009

Delitos e deleites

Engraçado, quando tento me lembrar o que já fiz, tirando tudo de seus contextos, me sinto um delinquente neurótico. Por isso, é importante dizer que “Não sou nada disso”.

A primeira coisa que me vêem a cabeça é que já roubei a padaria. Foram três picolés. Um de cada vez. Sem querer fazer apologia ao crime, não me lembro do sabor dos picolés, mas lembro da sensação de estar comendo os mais gostosos de todos.

Continuando na área alimentar, é bom que saibam que já fui gordinho. E, certa vez, inventei uma dieta para deixar de ser: a dieta da taioba. Comi taioba, só taioba, por vários dias. Parei no dia em que olhei para o vaso sanitário e me espantei com meu coco todo verde.


Também já passei semanas tomando apenas leite. Cismei que se ingerisse algo sólido passaria mal. Nessa época eu descobri que quase sempre eu tenho razão, pois, ao fim da terceira semana, comi pão e adivinhem no que deu. Passei mal mesmo!

Ah, tive um cemitério de mosquitos. Todo mundo brigava comigo porque eu matava os bichos para enterrá-los. Foi aí que vi meu poder argumentativo. Sempre respondia: “Você vê mosquito morto naturalmente pelos móveis afora? Como quer que eu mantenha um cemitério sem mortos?”. Depois dessa ganhei meu primeiro mata-mosca.

Falando em mortos, já ameacei meu irmão com uma faca, mas já vou dizendo, tive motivos. Ele não queria trocar de canal! Preferia me forçar a ver aquelas coisas enfadonhas de esporte. Mesmo sabendo disso, as pessoas insistiam em me recriminar.

Enfim, já menti e floreei histórias para me sentir bem. Não quer dizer que faça ainda, ou quer. Vai saber!

2 comentários:

fernando disse...

Se estes parágrafos fossem iniciados com: "Mas veja só o que aconteceu comigo...", ou "Uma vez eu..."; eu juraria que estaria lendo um roteiro de comédia stand-up.

Consigo ouvir mentalmente a risada da platéia depois de cada ponto final.

Thiago Andrade disse...

Na verdade todo mundo tem os seu delitos, por mais inconfessáveis que sejam. Talvez seja aquele instinto, aquela sensação orgasmática do perigo para se satisfazer. Não que isso tenha "Nexo", mas brincar com alguns limites tornam o amor e a guerra um pouco mais divertidos.