segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Meu lado Clarice

Há muito tempo tenho travestido minha tristeza em cansaço. Sempre que alguém me pergunta “você está triste?” eu digo um singelo “É só cansaço” acompanhado de um leve sorriso no rosto. Pelo que me lembro, isso começou no dia em que decidi separar os problemas objetivos dos subjetivos. Os primeiros são aqueles que todas as pessoas ,em qualquer lugar do mundo, que os vivenciassem, com certeza, sofreriam. Fome, frio, dor são alguns dos ‘objetivos’. Os outros são coisas da nossa cabeça. Caso outras pessoas passassem por ele, poderiam dar nome diferente ou lidar de forma distinta, sem grandes transtornos.

Desde então, me proíbo de ficar chateado com os problemas subjetivos, pois os tomei como algo não real. Eu do alto do meu pessimismo, arrumei uma maneira de ser otimista. “Ah, isso não é um obstáculo. Fique bem”. Essa frase sempre vem a minha cabeça nas horas de fraqueza. “Não deixe as pessoas perceberem”. É outra que me digo muito.

Hoje, exatamente agora, percebo como tenho pouquíssimos problemas objetivos. Na verdade, nenhum. É aqui que mora a questão principal. Eu só lamentaria se houvesse algo real. Nunca há. Não me entristeço.

Não sei se é uma visão comum, se todos pensam como eu, mas encaro o sofrer (moderadamente) como um desabafo, um jeito de extravasar o que há de ruim ou incômodo. Não tenho escape. Não tenho problemas. E também não sou pura satisfação. O que eu sou com isso tudo? Essas regras de proceder, para que servem?

Sinceramente, não sei. Teria que pensar muito para descobrir. São coisas tão complexas e demandariam tanto trabalho. Não quero fazer isso agora. Na verdade, não desejo nada por agora. Tenho estado tão cansado.

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