Das coisas que quis, uma das poucas a persistirem é a vontade de ser inspiração para uma música de Caetano. Desde criança, quase um pré-adolescente, tenho esse desejo que de certa forma mostra o meu amadurecimento.
Nessa época, como achava impossível conhecer o Caetano e, conseqüentemente, ele compor algo para mim, eu tinha convicção que ao alcançar a maioridade tatuaria um dragão no braço. Assim, eu roubaria a canção para mim. No entanto, por ser jovem e ter ainda princípios morais muito rígidos me detive no ‘menino vadio’. Como assim Caetano? Eu até estava disposto a ficar com corpo aberto no espaço. Vadio eu não era, nem tinha idade para isso.
Tive que trocar de música, estava em outro contexto, a flor do meu sexo já havia se aberto para o universo e todas as dúvidas que isso pode gerar foram suscitadas. Eu só queria algo ou alguém para me ajudar a dar sentido aos mundos. Não um significado qualquer, mas um que fosse bonito. Contudo, não consegui me adaptar à idéia de me considerar um Deus. A humildade, às vezes, se impõe a mim.
Meio cansado de querer usurpar a música dos outros, decidi querer uma só para mim, sob medida. Já estava adulto e, de certa maneira, com personalidade delimitada. Não precisava mais de modelos para me enquadrar. Necessitava de uma letra que falasse de mim e tudo que eu quis. Muitos acham essa vontade bobeira, talvez ela nunca se realize. Ou não.
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